adicionar aos favoritos | Fortaleza/CE

25/04/2007 18:52
Eu só me dei conta, realmente, do que aconteceria quando senti o coração acelerar ao entrar no Siara Hall. Chico Buarque de Holanda, o próprio, materializando canções que embalam a minha vida: meu amor, minha dor e que me fazem entender mais os meus próprios sentimentos.
Ele cantava para uma multidão mas, para mim, era como se ele murmurasse ao pé do ouvido, só para mim. O poder dele é tamanho que conseguiu aplacar a até minha TPM durante as quase duas horas que permaneceu no palco...Só ele mesmo!
A entrada foi triunfal. Sob aplausos, ele veio sorrateiro, um tanto tímido e começou a cantar incansavelmente. Pouco falou mas nem era preciso...O silêncio dele é quase solene...Digo quase pq, quando foi quebrado, ele demonstrou uma irreverência aguçada. Brilhou no erro, na homenagem feita a um músico cearense, no compartilhar o palco com um sambista nato e ensaiar alguns passos que mostram sua veia tão propalada de malandro, sambista, boêmio...
O final foi ainda mais apoteótico! Vislumbrá-lo à beira do palco, ver com detalhes o cabelo partido de lado, a meia combinando com a calça, aquele andar típico, de passos rápidos, miúdos e firmes, uns trejeitos que ele faz com os lábios entre um verso e outro, vê-lo a poucos palmos são impressões que vou levar comigo, para sempre!
***
E uso as palavras dele para descrever um pouco mais o que foi o show de ontem...
Sempre
(Chico Buarque)
Sempre
Eu te contemplava sempre
Feito um gato aos pés da dona
Mesmo em sonho estive atento
Para poder lembrar-te sempre
Como olhando o firmamento
Vejo estrelas que já foram
Noite afora para sempre
O teu corpo em movimento
Os teus lábios em flagrante
O teu riso,o teu silêncio
Serão meus ainda e sempre
Dura a vida alguns instantes
Porém mais do que bastantes
Quando cada instante é sempre